... pelo que entendi, foi um vídeo gravado
e editado por estudantes brasileiros, no Canadá. Entrevistavam pessoas de várias
partes da Terra, atuantes naquele campus universitário, com perguntas básicas
como: se já ouviu falar do Brasil, em que continente fica, qual a sua língua
oficial, os costumes... Foi o que deu para perceber, pois tiraram o áudio e
deixaram só as legendas das respostas… aff.
A intenção do vídeo é óbvia,
basta ler os comentários e ver a reação da maioria dos brasileiros após terem assistido
ao documentário. Como sempre achando um absurdo, quando as pessoas que nasceram
e estudaram na Conchinchina, respondem que a língua falada no Brasil é o Espanhol e que a sua capital é o Rio de Janeiro ou São Paulo. Mesmo que no meio
dos entrevistados tenha alguém um pouco mais atento, que já tenha ouvido falar
em Brasília e arrisca um tímido palpite.Mesmo assim, há os brasileiros que se ofendem ao perceberem
que noutras partes do planeta, não sabem quase nada sobre o seu país, acham que
todas as pessoas do mundo têm essa obrigação. Ora, quem tem de estudar e
decorar a Geografia do Brasil é quem estuda no ensino básico deste respectivo
país. Mesmo assim alguns brasileiros acham que todos os habitantes do planeta, têm
de saber qual é a capital do seu país, que língua que se fala nele, quais os
costumes, número de habitantes, que lugar o Brasil ocupa na economia mundial, quantos
títulos tem no campeonato mundial de futebol, até quantas estrelinhas tem na bandeira do Brasil…
Se esses mesmos brasileiros
soubessem que, nem mesmo em Portugal há quem não saiba o nome da capital do
Brasil, teriam uma síncope. Uma chiliquice narcisista na hora! “O queeeeê!?” É isto
mesmo. Em conversa informal já perguntei a adultos e crianças e me responderam
a mesma coisa: que a capital do Brasil é São Paulo ou Rio de Janeiro. Isto depois
de titubearem. Por uma razão para lá de óbvia: são as cidades que eles mais ouvem
falar e automaticamente gravam os nomes.
O brasileiro sofre da síndrome do
patriotismo exacerbado que lhe é impingido desde a segunda infância, quando
entra na escola. Se alguém fala que não conhece o Brasil cá fora, é um drama.
Será que a maioria dos brasileiros
saberiam responder, assim de supetão, quais os nomes dos outros países
lusófonos? Ah, mas não mesmo! Quanto mais, quais são as suas capitais, em que
continente ficam, os costumes. Porque nem eu sabia da existência do Timor Leste,
nem que na Guiné Bissau e no meio da Índia e China se fala Português, até vir
morar fora do Brasil. Naquele tempo nem se usava a internet tanto quento hoje,
mas mesmo assim.
Ora, ninguém é obrigado a gostar de
Geografia e nem mesmo de saber quantos países existem no mundo. Sei que são uns
duzentos e tais, porque se formos pesquisar, nem um número preciso, teremos.
Porque as independências tem de ser reconhecidas pela ONU, sei que lá mais,
coisa e tal, isso e aquilo.
Noutro dia estive no Parque das
Nações, em Lisboa, pela enésima vez e descobri mais uns dois países que eu nunca tinha
ouvido falar na vida, tanto que nem os nomes eu decorei. Parece que cada vez que
vou lá e ponho-me a olhar as plaquinhas nos mastros das bandeiras, descubro um
novo país e fico pensando, se houve mais independências no globo terrestre ou
não. Este que aliás, continua girando e translando sem nem se dar conta de que
carrega em si tantas celebridades: Brasil, "América", G8, G20…
Ah, o braziu é meu e escrevo como eu gosto (e ouço).
Ah, o braziu é meu e escrevo como eu gosto (e ouço).
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