terça-feira, 9 de julho de 2013

QUE OFENSA, DESCONHECEM O BRAZIU!


... pelo que entendi, foi um vídeo gravado e editado por estudantes brasileiros, no Canadá. Entrevistavam pessoas de várias partes da Terra, atuantes naquele campus universitário, com perguntas básicas como: se já ouviu falar do Brasil, em que continente fica, qual a sua língua oficial, os costumes... Foi o que deu para perceber, pois tiraram o áudio e deixaram só as legendas das respostas… aff.

A intenção do vídeo é óbvia, basta ler os comentários e ver a reação da maioria dos brasileiros após terem assistido ao documentário. Como sempre achando um absurdo, quando as pessoas que nasceram e estudaram na Conchinchina, respondem que a língua falada no Brasil é o Espanhol e que a sua capital é o Rio de Janeiro ou São Paulo. Mesmo que no meio dos entrevistados tenha alguém um pouco mais atento, que já tenha ouvido falar em Brasília e arrisca um tímido palpite.Mesmo assim, há os brasileiros que se ofendem ao perceberem que noutras partes do planeta, não sabem quase nada sobre o seu país, acham que todas as pessoas do mundo têm essa obrigação. Ora, quem tem de estudar e decorar a Geografia do Brasil é quem estuda no ensino básico deste respectivo país. Mesmo assim alguns brasileiros acham que todos os habitantes do planeta, têm de saber qual é a capital do seu país, que língua que se fala nele, quais os costumes, número de habitantes, que lugar o Brasil ocupa na economia mundial, quantos títulos tem no campeonato mundial de futebol, até quantas estrelinhas tem na bandeira do Brasil…

Se esses mesmos brasileiros soubessem que, nem mesmo em Portugal há quem não saiba o nome da capital do Brasil, teriam uma síncope. Uma chiliquice narcisista na hora! “O queeeeê!?” É isto mesmo. Em conversa informal já perguntei a adultos e crianças e me responderam a mesma coisa: que a capital do Brasil é São Paulo ou Rio de Janeiro. Isto depois de titubearem. Por uma razão para lá de óbvia: são as cidades que eles mais ouvem falar e automaticamente gravam os nomes.

O brasileiro sofre da síndrome do patriotismo exacerbado que lhe é impingido desde a segunda infância, quando entra na escola. Se alguém fala que não conhece o Brasil cá fora, é um drama.

Será que a maioria dos brasileiros saberiam responder, assim de supetão, quais os nomes dos outros países lusófonos? Ah, mas não mesmo! Quanto mais, quais são as suas capitais, em que continente ficam, os costumes. Porque nem eu sabia da existência do Timor Leste, nem que na Guiné Bissau e no meio da Índia e China se fala Português, até vir morar fora do Brasil. Naquele tempo nem se usava a internet tanto quento hoje, mas mesmo assim.

Ora, ninguém é obrigado a gostar de Geografia e nem mesmo de saber quantos países existem no mundo. Sei que são uns duzentos e tais, porque se formos pesquisar, nem um número preciso, teremos. Porque as independências tem de ser reconhecidas pela ONU, sei que lá mais, coisa e tal, isso e aquilo.

Noutro dia estive no Parque das Nações, em Lisboa, pela enésima vez e descobri mais uns dois países que eu nunca tinha ouvido falar na vida, tanto que nem os nomes eu decorei. Parece que cada vez que vou lá e ponho-me a olhar as plaquinhas nos mastros das bandeiras, descubro um novo país e fico pensando, se houve mais independências no globo terrestre ou não. Este que aliás, continua girando e translando sem nem se dar conta de que carrega em si tantas celebridades: Brasil, "América", G8, G20… 
Ah, o braziu é meu e escrevo como eu gosto (e ouço).

sábado, 6 de julho de 2013

O SORRISO E A DIVERSIDADE


Eu, assim que cheguei a Portugal a trabalhar em um Café, fui tentar conversar com uma cliente francesa: Tu es professeur de Français?
Ela: Pardon?
Eu, no call center: Je ne parle pas Français très bien.
Ela: kkkkkkkkkkkkk
Ela , a senhora do caixa de um supermercado (falando baixo para ninguém perceber): O que é isto?
Eu: beterraba.
E ela de novo: O que é isto?
E eu: É coco (rsrsrs).
Ela, toda sem jeito e chateada: é que eu não conheço isto( falando baixinho).
Ela ficou sem graça, porque não queria parecer ignorante. Eu não a achei uma ignorante, só achei engraçado alguém desconhecer um coco. Mas o que é conhecido para uns, pode não ser para outros. É no que dá morar em cidade cosmopolita! A senhora poderia usar a situação, para aprender mais uma curiosidade.
Eu ri, mas não foi de deboche. Ela, a francesa também não riu de deboche (acho eu).
É que é engraçado ver alguém não conhecer o que para nós é tão comum. Afinal, o coco é tão usado em bolos e doces. Ah, mas já vem no saquinho. O bagaço do coco…
A miúda tinha acabado de chegar do Brasil e estávamos as duas na fila do supermercado, quando o rapaz do caixa nos perguntou o que era aquela fruta (abacate). Ela começou a rir sem parar, deixando o rapaz e eu constrangidos. Ela não o fez por mal. É que às vezes o riso, se traduzido pode querer dizer: "como você ainda não conhece algo já tão comum nos supermercados daqui!?".
Apesar de que certos risos, se traduzidos, melhor seria se não tivessem sido. Ontem mesmo eu recebi um sorriso torcido, que traduzido diria algo como: "você é uma estrangeira ignorante". Por inúmeras vezes tento explicar que quero um alimento sem carne e as pessoas pensam que estou me referindo à carne bovina. Aí dizem: “este alimento não contém carne; só frango, peixe, crustáceos”. Aff, para mim, tudo o que ‘não dá na árvore’ é carne. Se não estou num estabelecimento, cuja especialidade é a comida vegetariana, difícil é explicar que quero algo que não contenha produtos de origem animal, se em tudo tem leite, ovos. Estes ingredientes eu até posso tolerar, o que eu não quero é ca-dá-ver. "Mas se os vegetais estão mortos, também são cadáveres." Deixa quieto, vai…
Mas o sorriso é uma forma de comunicação não verbalizada, ou seja, que não usa as palavras sob a forma de sons, para se dizer o que se pensa, mas que pode transmitir muitos sentimentos, até mesmo de raiva ou de desprezo.
Ao receber sorrisos tortos, palavras depreciativas, por ser estrangeiro, muita gente sai correndo de volta ao país de origem. Eu não. Quero é mais conhecer a diversidade. Quanto mais eu fico, mais eu conheço. E se pudesse, conheceria mais ainda. Paro para observar que damasco aqui é mato, enquanto que no meu país é artigo de luxo. E fico apreciando um pé carregadinho de maçãs e de pera rocha. Ops, um pé é carregadinho de dedos e não de frutas! É que lá onde eu nasci se diz pé de frutas e aqui se diz árvore de frutas. Lá se diz chupar laranja e aqui se diz comer laranjas. Mas lá também, na minha cidade se diz: cá fora (como se diz aqui) e noutra região do Brasil, riam de mim quando eu dizia isto, porque lá se diz (não, se fala): aqui fora.
E as pessoas quando ouvem algo diferente, a primeira reação que vêm é o riso. O riso deveria unir e não separar. Depende, quando se ri de quem leva um belo tombo, eu não acho graça nenhuma. Quando eu escorreguei aqui pela primeira vez, fiquei esperando um riso que não veio. Que bom! Um senhor veio me levantar, todo preocupado. Ai, foi como um beijinho no dodói, tão bom! Ele perguntou: magoou-se? E eu fiquei admirada com tanta gentileza. Voltando ao riso... Por outro lado, se saio de sombrinha ou guarda-sol na rua, em dia de verão, o que vejo de risinhos contidos me deixam com vontade de ir embora. E voltando à gentileza, eu estava no centro de Lisboa, numa paragem do bus (é assim que os jovens falam e acho mais chique), quando vesti uma manga do casaco, percebi que a outra já estava esperando a minha mão. Um gentil primo (africano) já estava a me auxiliar, com todo o respeito. Fiquei admirada e contente por conhecer mais uma curiosidade. Será que lá no país dele é assim? 
E para não perder o foco no riso, certa vez eu estava no supermercado eu ouvi uma criancinha feminina a dar gargalhadas altas e gostosas, e o irmão que já tinha atingido a fase do superego a repreendê-la dizendo: não rias assim! Na época eu achei aquilo triste, mas agora eu já acho esquisito ver alguém rindo às gargalhadas. No país onde nasci, o sorriso é algo bom, simpático, hospitaleiro (a não ser quando alguém cai, né). Depois que me desacostumei daquele jeito de viver, passei a ver o riso exagerado como algo estranho.
Dentro do meu próprio país, eu tinha migrado de uma cidade, onde havia muitos amigos que me faziam rir até doer o abdômen, para uma região onde raramente eu encontrava alguém com esse espírito cômico. Quando fui passear na minha cidade, um adolescente olhou para a minha cara e disse para a sua amiga: "mas você é feia hein, fulana!". Fiquei brava, achei aquilo o fim da picada, retruquei. Como pode um miúdo que nunca me viu, mexer comigo assim! Eu havia me desacostumado. Lá, ainda era normal alguém mexer com quem estivesse quieto. Era divertido, mas para mim já passara a ser absurdo.
Noutro dia eu estava sentada na esplanada de um shopping, ao lado de uma mesa onde havia uma família de traços e indumentárias meio de lá de perto da Índia, talvez do Paquistão, tal-vez. A mãe me olhava e olhava. Logo depois, pai e filha me olhavam e riam. Após certificação, não havia nada de errado comigo. Fiquei intrigada com aquele comportamento, porque o estilo deles é que era diferente ali. Será que na cultura deles também se ri dos outros?
Migrar faz sofrer; faz nada! Depende da forma como se vai usar a migração. Se de uma maneira penitente ou contemplativa.
Quem não consegue ver a diversidade com bons olhos, vai ter que ficar sem conhecer as culturas alheias. Ou terá de se mudar para as aldeias, onde nem sempre estarão livres dos intrusos, kkkkk. 
Viva o riso e a diversidade!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

SOBRE A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO





Toda vez que se fala na aprovação da Lei de despenalização do aborto, há quem seja contra, há quem seja a favor, mas prefere não se pronunciar e há quem tenha a coragem de dizer que é a favor.
Em se tratando de países, onde a maioria da população é cristã, os líderes vão ser sempre contra. E os seus seguidores também, baseados nos princípios religiosos, ou seja, naquilo que as pessoas acreditam.
O meu argumento sempre foi: se você fosse filho de um estuprador e pudesse, na condição de feto, escolheria não ser morto; o filho é "metade a mãe", coisa e tal, isso e aquilo... Porém hoje penso que é complicado julgar.  Pôr uma criança no mundo e descartar num orfanato, para passar por certas dificuldades ou abortar? Se eu estivesse na pele de certas crianças, preferiria ter sido abortada. 
Se a gente for parar pra pensar no que é justo ou injusto acaba pirando de vez. Quanto à lei que despenaliza o aborto, só dá o direito às pessoas de escolherem se farão ou não. Porque com lei ou sem ela, o aborto irá continuar a existir, mesmo que na clandestinidade.
Concordo com quem cita o bandido que matou o pobre menino no Uruguai. Se tivesse sido abortado, seria um bandido a menos para fazer malvadezas. 
Até entendo o lado romântico da concepção , mas a natureza não tá nem aí, tanto para conceber, quanto para o assassinato. Punição divina, é coisa inventada pelos humanos, do sexo masculino, que subestima e subjuga o sexo oposto. Daí a ocorrência do estupro e das leis messiânicas e ditadoras que, infelizmente funcionam até hoje contra a mulher. Numas culturas mais; noutras menos, mas existem.
Há assassinatos nas guerras, que merecem condecoração. O mundo está todo errado, não podemos consertá-lo. Então fica difícil discernir o assassinato do "assassinato".
 Concordar ou não com as leis, é uma questão de se estar de acordo com quem as cria ou simplesmente neutro. A neutralidade pode denotar uma acomodação ou passividade. Devemos todos ser militantes? É complicado viver no mundo sem ter de tomar uma posição. Estar contra ou favor das reivindicações, sabendo que poderão favorecer a todos, até quem não reivindicou. 
Estarei protestando nas ruas porque concordo com todas as reivindicações? Sou a favor de todas as formas de manifestações? 
Posso ser a favor da reforma política no meu país, mas não concordar com a forma como as demais pessoas estão fazendo essa reivindicação. 
É complicado morar no mundo. Portanto, prefiro deixar que o mundo cuide do mundo.