domingo, 5 de julho de 2015

Vida, uma tragicomédia, na qual todos co-atuam.


Somos todos atores e co-atores da existência. Nos influenciamos mutuamente, numa incessante luta pelo não sei o quê.
Se por um momento olhássemos a atuação da humanidade com olhos "não humanos", poderíamos enxergar as disputas pelo poder, como uma comédia trágica. Sinónimo de pura perda de tempo.
Convivemos diariamente num constante avançar e recuar. O jogo do vai e vem começa, assim que a criança passa a mostrar o que quer. Daí em diante dá-se início aos conflitos inerentes à educação familiar. "Aí não! Agora não. Tira isto da boca! Não pode. Ainda não. Passa pra cá. Por ali. Saia já daí! Não deverias. Já não aguento mais!..." . "Buááá. Deixa, vai? Não fui eu, foi fulano. Compra, eu quero. Me deixa! Não encha o saco! Tá bom, vai..."
Em casa, na vida conjugal, com os filhos, com os bichos de estimação;  com os parentes; no trabalho; na rua; vizinhança, existe sempre uma disputa por alguma coisa entre as pessoas.  Este seria o lado trágico das relações, aquele que mexe com o emocional das pessoas.
O lado cómico é a futilidade da disputa por bens materiais, da acumulação de riquezas através da violação dos direitos dos "outros". "Outros" quer dizer: não só os humanos.  É aquela disputa que não irá levar ninguém a lado nenhum. Porque não existe (genuinamente) o pobre ou o rico. A prova de que somos rigorosamente iguais, está no fato de estarmos todos caminhando para um mesmo fim: a desintegração. Somente quando se chega a esse momento, é possível ver que de nada adiantou tantas disputas enquanto vivos.
Se ao invés de encararmos a vida como uma luta, a víssemos como uma brincadeira ou até mesmo como uma festa, a maior parte das dores do mundo nem existiria.